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início | Ana Maria Silva | definição | 7 poderes | agenda | fotos | testemunhos | contactos | links |
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A base conceitual da Biodanza provém de uma meditação sobre a vida, do desejo de renascer dos nossos gestos despedaçados, da nossa estéril estrutura de repressão. Poderíamos dizer com certeza: da nostalgia do amor.
O primeiro conhecimento do mundo, anterior a palavra, é o conhecimento através de movimentos. A dança é, portanto, um modo de “ser-no-mundo”, a expressão da unidade orgânica do homem com o universo. Esta noção da dança como sinestesia integrativa, é muito antiga e tem, através da história, numerosas expressões culturais, tais como as danças primitivas, as danças órficas, as cerimónias tântricas ou as danças giratórias do Sufismo.
O poeta Jala-od-Din Rumi (séc. XIII) exclamava “Oh dia levanta-te... os átomos dançam, as almas arrebatadas do êxtase, dançam, o céu azul, a causa desse ser, a dança: te direi no ouvido onde conduz a sua dança: todos os átomos que existem no ar e no deserto – entenda-o bem –estão apaixonados por nós e cada um deles, feliz ou infeliz, se encontram deslumbrando pelo sol da alma incondicional.”
Uma sessão de Biodanza é um convite para participar desta Dança Cósmica de que falava o poeta sufí. Esta afirmação talvez resulte surpreendentemente dentro do melancólico panorama sócio-político de nosso tempo. Num mundo como o nosso, de fome e genocídios, de torturas e denúncias num mundo de abandono infinito, como é possível pensar em dançar? À primeira vista parece uma inconsequência. Porém, a minha proposta não consiste em apenas dançar, mas também em activar, mediante certas danças, potenciais afectivos e de comunicação que nos conectem a nós mesmos, com o semelhante e com a natureza.
Mas, como poderíamos mudar o mundo sem mudar a nós mesmos?
A transformação mediante a Biodanza não é uma mera reformulação de valores, e sim uma verdadeira transculturação, um aprendizado a nível afectivo, uma modificação límbico-hipotalâmica. A deformidade do espírito ocidental culminou, durante este século, com os maiores atentados contra a vida humana já vistos na história. A patologia do ego tem sido reforçada até extremos jamais alcançados antes. Para sustentar esta patologia, existem as instituições estatais, as ideologias políticas e educacionais. (…)
A nossa acção é, portanto, uma aberta transgressão aos valores da cultura contemporânea, as consignas da alienação da sociedade de consumo e as ideologias totalitárias. O fracasso das revoluções sociais acontece por que as pessoas que as promovem não têm realizado em si mesmas o processo evolutivo. As transformações sociais só podem ter êxito a partir da saúde e não das neuroses ou do ressentimento. De outra forma, as mudanças sociais só substituirão uma patologia por outra.
A Biodanza propõe-se restaurar nas pessoas, a nível massivo, a vinculação originária e a espécie como totalidade biológica. Este ponto de partida é indispensável para a sobrevivência.
A Biodanza tem a sua inspiração nas origens mais primitivas da dança. É importante esclarecer que a dança, num sentido original, é movimento vivencial. Muitas pessoas associam a dança a um espectáculo de “ballet”, mas esta é, apenas, uma visão formal da dança.
A dança é um movimento profundo que surge do mais íntimo do homem. É movimento de vida, é ritmo biológico, ritmo do coração, da respiração, impulso de vinculação da espécie, é movimento de intimidade. Acredito numa dança orgânica, que responde aos padrões de movimento que originam a vida. Temos buscado essa coerência e encontramo-la nas posições geratrizes, na harmonia musical entre os seres vivos, ressonância profunda com os micros e macrocosmos. O nosso objectivo é traduzir estas pautas do movimento para a vinculação real. Somente se os nossos movimentos restaurarem os seus sentidos de vínculo conseguiremos renascer do caos «obsceno» de nossa época. Participamos, assim, de uma visão diferente. Buscamos acesso a uma nova forma de viver, despertando a nossa sensibilidade adormecida. Estamos exageradamente sozinhos, no meio de um caos colectivo.
Há um modo de estar ausente com toda a nossa presença. No acto de não olhar, de não escutar, de não tocar o outro, o despojamos subtilmente da sua identidade. Não reconhecemos que nele há uma pessoa; estamos com ele, mas o ignoramos. Esta desqualificação, consciente ou inconsciente, horrível , envolve todas as patologias do Ego.
Festejar a presença do outro, exaltá-la no oceano essencial do encontro é, talvez, a única possibilidade saudável. (…) O que necessitamos para viver é um sentimento de intimidade, de transcendência, de vinculação prazerosa e de estímulos. Pois bem, nessas necessidades naturais temos colocado os nossos objectivos. Sabemos que a consistência existencial não pode ser proveniente de uma ideologia, mas de vivências em acção. Nossa finalidade é activar, através da dança e exercícios de comunicação em grupo, profundas vivências harmonizadoras. Rolando Toro Araneda
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produzido por Joana Rodrigues | © 2009, Biodanza Porto | alojado por My Web |
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